A indústria da música está em um ponto de inflexão. Com a explosão de ferramentas generativas, a quantidade de conteúdo sintético inundando as plataformas de streaming atingiu níveis sem precedentes. Diante desse cenário, a Deezer saiu na frente ao lançar o primeiro sistema de identificação de IA do mundo para streaming de música, estabelecendo um novo padrão de ética e transparência para o setor.
O desafio das 50 mil faixas diárias
Para entender a importância dessa tecnologia, precisamos olhar para os números. De acordo com dados recentes da plataforma, cerca de 34% de todo o conteúdo enviado diariamente para a Deezer é 100% gerado por inteligência artificial. Isso representa algo em torno de 50.000 novas faixas por dia.
O problema não é apenas a presença dessas músicas, mas a finalidade por trás delas. A Deezer identificou que até 70% das reproduções dessas faixas sintéticas são, na verdade, fraudulentas, geradas por “fazendas de streams” para desviar royalties que deveriam ir para artistas humanos.
Como funciona o sistema de identificação de IA
O novo sistema da plataforma não é apenas um filtro básico. Ele utiliza modelos avançados de aprendizado de máquina, protegidos por patentes registradas pela própria Deezer, para detectar “assinaturas únicas” de modelos como Suno e Udio.
As principais ações do sistema incluem:
- Rotulagem clara: Álbuns que contêm faixas geradas por IA recebem um selo de identificação visível para o usuário.
- Limpeza algorítmica: Músicas 100% sintéticas são excluídas das recomendações editoriais e algorítmicas (como o Flow), garantindo que o espaço de descoberta permaneça humano.
- Justiça financeira: Ao detectar manipulação de streams em faixas de IA, a plataforma exclui essas execuções do cálculo de pagamento de royalties, protegendo o fundo de receita dos artistas reais.

Por que a transparência importa?
Um estudo realizado pela Deezer em parceria com a Ipsos revelou um dado alarmante: 97% dos ouvintes não conseguem distinguir uma música feita por humanos de uma criada inteiramente por IA. Sem um sistema de identificação de IA eficiente, a percepção de valor da arte corre o risco de ser diluída.
Ao implementar essa tecnologia, a Deezer não está proibindo a IA, que pode ser uma ferramenta criativa poderosa, mas está garantindo que o ouvinte tenha o direito de saber o que consome e que os criadores de carne e osso não sejam prejudicados por um volume massivo de conteúdo automatizado.
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